Flávia Placideli
Reumatologista e clínico geral fala sobre os desafios da profissão, a evolução da medicina e os valores que guiam sua atuação há mais de 30 anos
Com mais de 30 anos de trajetória na medicina, o Dr. César Faillace é reconhecido por sua dedicação, ética e olhar humano sobre a prática médica. Especialista em reumatologia e clínica geral, ele construiu uma carreira pautada pela escuta atenta ao paciente, atualização constante e compromisso com o cuidado integral. Em entrevista ao Guia Médico, compartilhou reflexões sobre sua trajetória, os desafios enfrentados pelos profissionais da área e os conselhos que transmite às novas gerações de médicos.
A decisão de seguir a carreira médica nasceu de um gosto pessoal, mas também de um desejo genuíno de servir. “Foi bom”, relembra, em tom simples, mas cheio de significado. Para ele, a medicina nunca foi apenas uma profissão, mas uma missão. “É uma carreira naturalmente difícil, especialmente para quem tem boa vontade”, afirma. Segundo o médico, enfrentar essa complexidade exige mais do que conhecimento técnico: exige empatia, resiliência e amor ao próximo.
Ao longo dos anos, Dr. Faillace construiu uma prática médica centrada no ser humano. “Atendê-los da melhor forma possível” é mais do que um princípio profissional é uma filosofia de vida. Em um momento em que muitos pacientes se sentem tratados como números, ele reforça a importância de olhar para cada um como único, com sua história, suas dores e necessidades específicas. Para ele, o bom atendimento passa pela escuta ativa e pela construção de confiança mútua.
Em sua longa vivência, acompanhou de perto a evolução da medicina e acredita que essa transformação está longe de terminar. “A medicina evoluiu muito e continua evoluindo”, afirma. As inovações tecnológicas, os avanços nos métodos diagnósticos e os novos tratamentos mudaram profundamente a forma como as doenças são compreendidas e tratadas. No entanto, Dr. Faillace ressalta que, apesar da tecnologia, o lado humano da medicina continua insubstituível. “Nenhuma máquina substitui o olhar, o toque e a palavra do médico”.
Ao ser questionado sobre o que diria aos médicos em formação, o conselho é claro e direto: “Sejam honestos. Vocês não são deuses, mas a vida dos pacientes está nas suas mãos.” Ele reforça que a responsabilidade do médico vai muito além do diagnóstico e da prescrição. Envolve respeito, escuta, postura ética e humildade — qualidades que, para ele, são tão essenciais quanto o conhecimento científico. “Ser humilde é fundamental. A arrogância não cabe na medicina”.
Mais do que números ou títulos, Dr. César Faillace carrega em sua história profissional um legado de humanidade, responsabilidade e ética. Em tempos de transformações rápidas e desafios crescentes na saúde, sua trajetória inspira não apenas colegas de profissão, mas todos aqueles que acreditam que a medicina é, antes de tudo, uma forma de cuidar da vida com dignidade.
