Por Flávia Placideli
Como o cuidado com a saúde mental pode transformar ambientes corporativos, aumentar a motivação e reduzir o absenteísmo
Em um cenário corporativo cada vez mais dinâmico e desafiador, cuidar da saúde mental dos colaboradores tornou-se uma necessidade para as empresas. A psicóloga Juliana Prado, com experiência clínica e atuação no ambiente organizacional, explica como a psicologia pode contribuir para ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e humanos.
“Minha trajetória clínica me trouxe ferramentas essenciais para desenvolver pessoas dentro das organizações”, destaca Juliana Prado. Segundo ela, a psicologia compreende o comportamento humano e os fatores emocionais que influenciam a motivação, o engajamento e as relações interpessoais. “Investir em saúde mental não é só cuidado, é estratégia. Colaboradores emocionalmente equilibrados produzem mais, com melhor clima e menor rotatividade”.
Um dos maiores obstáculos, segundo Juliana, é vencer o estigma ligado à saúde mental e integrá-la de forma genuína na cultura organizacional. “Muitas empresas reconhecem o tema, mas têm dificuldade em transformar discurso em prática”.
Segundo ela, a pandemia foi um marco para que as organizações percebessem que saúde mental é assunto estratégico, não assistencial. “Hoje, vejo empresas mais abertas, com programas de apoio psicológico, palestras e treinamentos focados em empatia e escuta”.
Combinando sua experiência clínica e corporativa, Juliana utiliza abordagens dinâmicas, feedbacks guiados e exercícios de comunicação não violenta para capacitar líderes. “A escuta ativa nasce quando o líder aprende a silenciar seus julgamentos e se conecta verdadeiramente com o outro”.
No consultório, Juliana percebe um aumento nas queixas relacionadas à ansiedade, exaustão emocional, dificuldades de relacionamento e sensação de sobrecarga. “Muitos pacientes relatam desconexão consigo mesmos, apesar da constante ocupação”.
A psicóloga trabalha com seus pacientes o reconhecimento dos próprios limites e a importância do descanso e da autenticidade nas escolhas. “O equilíbrio é um movimento constante entre cuidar de si e responder às demandas externas, sempre respeitando as vivências e escolhas de cada pessoa”.
Juliana observa que, apesar de as dores emocionais serem universais, o contexto influencia as causas. “No mundo corporativo, a pressão por performance pode levar à repressão de emoções. Já em outros ambientes, os conflitos podem ser ligados a histórias pessoais e afetivas”.
Sua abordagem clínica é fundamentada na psicanálise, método que valoriza a fala e a escuta profunda para a transformação pessoal. “Através do discurso, o sujeito elabora suas dores e reconhece seus desejos”, finaliza.
