Fé recuperada

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Responsável por recuperar a imagem da Padroeira após atentado, artista plástica Maria Helena Chartuni visitou Lençóis Paulista

A Paróquia Nossa Senhora Aparecida recebeu na manhã de hoje a artista plástica Maria Helena Chartuni, responsável pela restauração da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida após o atentado de 1978. Maria Helena proferir uma palestra com o tema “Aparecida: 40 anos de restauração” e, em seguida, respondeu às perguntas dos convidados e da imprensa.



Durante o bate papo, a artista plástica revelou alguns detalhes sobre o trabalho. “Eu era devota de Nossa Senhora Aparecida quando criança, mas na adolescência comecei a contestar algumas coisas. Quando surgiu a oportunidade de restaurar a imagem, minha fé estava no freezer”.

“Deus colocou a mão em mim durante a restauração e me salvou de um caminho tortuoso naquele momento. Na verdade, não sei quem restaurou quem”, Maria Helena Chartuni”

Foram 33 dias de restauração (curiosamente, o número representa a idade de Jesus Cristo quando morreu) que mudaram a vida de Maria Helena. “Assim como acontece com um médico, o restaurador não pode se envolver emocionalmente com o seu trabalho. Minha transformação veio após a reação do povo brasileiro com a restauração. Naquele momento, percebi que tudo aquilo não era puro marketing, e o conceito errado que eu tinha sobre a imagem caiu por terra”.

Segundo relatos, a aparição da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, conde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá, no vale do Paraíba, durante uma viagem até Vila Rica. “O estado físico deixava claro que aquela imagem havia ficado na água em certa oportunidade”, garante Maria Helena, que ainda completa. “Nunca acho que vou conseguir fazer algo ou canto vitória antes do tempo, pois cada peça é um desafio diferente. E assim foi com a imagem de Nossa Senhora Aparecida”.

O atentado

O atentado à imagem da Padroeira do Brasil aconteceu em 16 de maio de 1978 na Basílica Velha em Aparecida. Enquanto a missa das 20h era celebrada, os fiéis não poderiam imaginar que estavam prestes a vivenciar uma “tragédia religiosa”.

Durante a missa, um jovem visivelmente transtornado, avançou em direção à Santa no altar. Saltou a uma altura de dois metros até o cofre de ouro com frente de vidro onde estava a imagem. Na terceira tentativa, a força do “possesso” deixou os vidros em estilhaços e Nossa Senhora foi tirada do altar.

O homem correu até a rua e apesar de ser alcançado por um guarda, consegui lançar Nossa Senhora ao chão. A imagem quebrou em mais de 200 de pedaços. O suspeito foi detido e tratado como doente mental. Já a imagem da Santa, naquela altura, tinha seu futuro incerto.

Depois da imagem ser quebrada, a Igreja cogitou que o restauro fosse no Vaticano, mas o trabalho acabou sendo feito pela artista plástica brasileira Maria Helena Chartuni, que na época trabalhava no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

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