Arte e vida

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Michelle encontrou no artesanato uma oportunidade para empreender e uma alternativa à doença

Priscila Pegatin

A maternidade trouxe para Michelle Amancio diversas descobertas, entre elas, o amor incondicional à filha, Sofia, e uma paixão chamada artesanato. “Sempre gostei de fazer uma coisinha ou outra e quando a Sofia era pequena, não achava acessórios bonitos, do jeito que eu queria. Foi então que comecei a produzir as próprias peças”, relembra ela sobre o que antes era só um hobby.

Da produção caseira, Michelle recebia elogios e tinha seu trabalho admirado por outras mães. “Minha filha foi para a escola muito cedo, com pouco mais de um ano, e as mães das amiguinhas viam os acessórios e queriam. Um dia fiz uma caixa cheia deles e vendi tudo. Isso foi em 2012”, conta ela sobre o início dos trabalhos que sempre teve o apoio do marido, Alexandre Parenti Ribeiro. “Meu maior incentivador, sempre acreditou em mim”, ressalta.


De lá para cá a confecção tomou proporções que nem Michelle imaginava. “O que me pedem eu faço. De acessórios de cabelo, a roupa de mãe e filha, e fantasias para aniversários”, diz ela mostrando uma fantasia de Pequena Sereia.

O toque especial das peças fica com o carinho e dedicação que Michelle e Rose, sua costureira, tem. “Gosto de fazer tudo personalizado e a gente tem um dom. A pessoa pede e já vem a imagem na cabeça de como a peça deve ficar”, conta Michelle. 

Mas alegria mesmo elas sentem na satisfação das clientes ao receber a encomenda. “Quando a criança coloca a roupa e fica rodando, admirada, é muito gratificante”, diz orgulhosa sobre a profissão.


O reflexo da arte na vida

Mas, além do amor e gratidão por cada peça produzida e entregue, o artesanato tem uma importância de peso na vida de Michelle. “No decorrer desse tempo descobri que tenho leucemia e minha profissão se tornou meu remédio”, diz. “É maravilhoso poder fazer tudo isso, tira o meu foco de pensar só na doença”, conta ela, que está há seis anos em tratamento e mantém a doença controlada por meio de quimioterapia oral.

Devido ao sucesso das confecções e o aumento dos pedidos, Michelle mudou recentemente seu ateliê para um novo espaço. E lá ela já planeja aumentar a produção. “Hoje só faço peças sob encomenda. É preciso fazer o pedido com até dois meses de antecedência. Mas logo também quero trabalhar com primeiro aluguel de vestidos”, conta ela com a força para lutar que todo empreendedora no Brasil precisa ter.