Artigo de abril de Salete Cortez

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Upgrade de um relacionamento

É no panorama do amor moderno que a procura por terapia de casal tem crescido ano após ano. Muitas são as questões que provocam um desencaixe na forma de funcionar do casal fazendo com que o mesmo não consiga mais se reencontrar afetivamente. A proposta da terapia de casal é de oferecer um ambiente favorável para a aprendizagem e a reflexão sem atribuição de culpas. A reflexão acontece no sentido de tornar as pessoas mais flexíveis e contribuir na revisão da dinâmica do relacionamento, seus limites, as expectativas e idealizações.

Geralmente são os limites individuais e da personalidade de cada um que mais provocam distorções na forma de entender os acontecimentos. Ambos tendem a enxergar de forma diferente o mesmo fato, demonstrando pouca disponibilidade para conversar e refletir sobre o ocorrido. Infelizmente, a tendência é a repetição dos problemas até esgotar a esperança e o amor.



Quando um casal vem buscar ajuda terapêutica, elogio muito tal iniciativa. Trata-se de um momento delicado onde, na grande maioria das vezes, ambos estão cansados e sofridos demais. Nenhum conflito é simples e o que está em jogo é muito precioso. A qualidade da escuta terapêutica é essencial para que encontrem um caminho com amor e respeito, mesmo que a conclusão seja a separação.

Um ideal de casamento, presente na ideologia burguesa, impõe aos cônjuges que tenham muitas expectativas sobre aquela união. Desta forma, muitos conflitos resultarão da desilusão pelo não atendimento das mesmas. Também, com o passar do tempo, é comum acontecer de um parceiro não valorizar ou levar a sério o que o outro diz. Esse é um dos fatores mais importantes para que ocorra o afastamento do casal. Ambos não se sentem ouvidos e começam a se perguntar se há o que esperar de tal união.

Os grandes impeditivos para resolução das crises dizem respeito à dificuldade que as pessoas têm de manter um diálogo verdadeiro, ou seja, ter calma para ouvir, refletir e a capacidade de se colocar no lugar do outro. Um diálogo interessado e espontâneo é bem difícil de acontecer. O ciclo cego de desentendimento precisa de intervenção para ser encerrado. Só assim, juntos, poderão tecer uma nova proposta que faça sentido para os dois, valorizando afeto, intimidade, amizade, companheirismo e limites. Para ter um relacionamento gostoso e de parceria, é necessário que ambos tenham o direito ao espaço e à voz, para a plena expressão de si.

O amor e o desejo de ficar juntos é o que torna o recasamento com a mesma pessoa possível. Novas formas de amar e de se relacionar estão sendo construídas para responder às exigências de uma sociedade onde os valores e as regras econômicas e sociais estão sempre em mutação.

Dra. Salete Cortez
Psicóloga clínica, pós graduada e especialista em pânico e depressão

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