Artigo de junho de Salete Cortez

Ejaculação precoce




Ejaculação precoce

A ejaculação precoce, para melhor compreensão, foi dividida em duas categorias: primária e secundária. Na primária, a prematuridade acontece desde as primeiras relações sexuais e o tempo decorrido da penetração vaginal à ejaculação é menor que um minuto. No tipo secundário, o homem não apresenta nenhuma queixa sexual antes, mas, por algum motivo, passa a expelir o sêmen mais rápido do que gostaria, não alcançando três minutos de transa. Para você ter ideia, a média global (e considerada normal) fica na casa dos cinco minutos.

A ejaculação precoce é comum na adolescência e está associada à falta de experiência, medo de mau desempenho e inibição diante da parceira, que criam um estado de ansiedade intensa que leva o jovem a ejacular rapidamente. Com a prática, esse problema tende a desaparecer. Em torno de 25% dos homens esse distúrbio persiste na vida adulta e, quando não tratado, pode levar à disfunção erétil.



A causa emocional é a que mais bloqueia o mecanismo da ereção. O homem pode ter medo de falhar ou se sentir inibido quando se relaciona com alguém que desperte atenção especial. O problema é que quanto mais repetidas forem essas ejaculações sem controle, mais ansiosos eles ficam, mais adrenalina produzem e mais rápido ejaculam.

Com o passar dos anos, a ansiedade passa a ser tanta que acabam desenvolvendo algum tipo de disfunção erétil. O medo de ejacular muito rápido, de não dar prazer à parceira e de não conseguir a penetração que considera ideal cria uma ansiedade tão grande que faz diminuir a possibilidade até mesmo de conseguir uma ereção durante o ato sexual.

Uma estratégia que ajuda alguns homens é o uso da camisinha com látex bem grosso, que impõe uma barreira que diminui o contato do pênis com a vagina. Entretanto, existem dois caminhos para reverter esse distúrbio: a psicoterapia e o uso de antidepressivos. O resultado do tratamento será melhor se o paciente puder contar com a participação da parceira. Em certos casos, entretanto, o problema não está só no tempo que o homem leva para ejacular, mas na dificuldade que um terço das mulheres tem para atingir o orgasmo.

Não se acanhe se tiver ejaculação precoce e procure a ajuda de um especialista para resolver o problema. A terapia sexual costuma dar bons resultados. Ajuda a desenvolver técnicas para controle da ejaculação, aumentando a confiança em seu desempenho sexual e reduzindo a ansiedade de desempenho. Também modificar o repertório sexual rígido, aumentando a intimidade, melhorando a comunicação, transformando conflitos em intimidade e estímulo, o que ajuda muito a minimizar ou prevenir recaídas.

Dra. Salete Cortez
Psicóloga clínica, pós-graduada em Sexualidade Humana e especialista em Pânico e Depressão

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