Artigo de março de Salete Cortez

Educação sexual




Saúde sexual do jovem

A responsabilidade pela educação sexual é um tema que provoca discussões. Muitos pais afirmam que ensinar os filhos a se proteger e a lidar com as questões sexuais na puberdade e adolescência só incentiva a busca por tais experiências. Dessa forma, sustentam que silenciar sobre as mudanças dos caracteres sexuais, desejos e curiosidades ainda é a melhor saída para não despertar o interesse dos adolescentes. Será? Você deixaria o seu constrangimento de lado se soubesse que crianças e adolescentes que têm educação sexual, na escola e em casa, estão seis vezes mais protegidas contra a violência sexual? Pois bem. É hora de repensar o seu constrangimento.

A adolescência é geralmente vivenciada de forma intensa. Momento em que a energia e os hormônios sexuais motivam a encontrar o amor, a descobrir o próprio corpo com novas sensações através do contato e da intimidade, cuja expressão se dá na forma do sentir, dos movimentos corporais, na forma como tocam e são tocados. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos e ações. Está presente na escola, na fala da garotada, nas brincadeiras, nos bilhetinhos, nos namoros no pátio, nas carícias ou mesmo nas entrelinhas das matérias estudadas.



Na prática, quem educa o jovem quando o paquera pede nudes? Estamos com problemas dignos do século XXI. Atualmente, quem educa é a internet. Com tudo de bom e tudo de ruim e destrutivo, ela vem influenciando a vida sexual de muitos. A deseducação sexual é gigantesca. O número de gravidez precoce só aumenta e os adultos imitam os filmes pornôs, nos quais os corpos e as performances não correspondem à realidade. Daí começam muitos problemas que nos acompanham pela fase adulta.

Diante das atuais circunstâncias, podemos desejar que os jovens tivessem comportamentos sexuais que não os colocassem em risco? Pais espertos buscam informações sobre como abordar o assunto em casa. Ótimo que a escola ensine sobre a anatomia e as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), mas as sensações, necessidades físicas e emocionais, as precauções, os sentimentos envolvidos, os mitos e as distorções podem ser melhor abordadas por quem se disponibilizar a aprender ou a reaprender para ajudar de forma mais eficaz o jovem da casa. Se bem que todos nós devíamos buscar mais informações corretas, pois há muitos mitos, preconceitos e distorções que impactam na qualidade da nossa experiência e na expectativa que temos do desempenho da parceria. Tenho a certeza de que algumas informações irão te surpreender positivamente.

Dra. Salete Cortez
Psicóloga clínica, pós graduada e especialista em pânico e depressão

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