Bolsonaro deveria maneirar?

Nelson





Realmente o estilo de nosso presidente é o de ser claro e direto nas suas manifestações. Em entrevistas então, é notória a sua maneira de se expressar, muito direta, muito franca, muito aberta, muito sincera. Em suas manifestações, não vislumbramos o mínimo resquício político.

Parece que é uma questão até pessoal, de jamais deixar qualquer semelhança com manifestação política em suas declarações. Pelo contrário, muitas vezes é até passível de críticas, precisamente por suas falas eivadas de sinceridade. Seus opositores ficam de olho aberto e qualquer brecha por ele deixada já é alvejada por interpretações as mais variadas, acusando-o das mais diferentes posições, algumas até provavelmente muito longe de uma eventual realidade.



Seus seguidores adoram essa maneira de expressão, direta, conclusiva, sem rodeios, sem meio termos, sem enrolações. Recentemente envolveu-se em séria polêmica com o presidente francês, que o atacou pessoalmente baseando-se em uma possível postagem sua, relacionada à primeira dama francesa. Postagem esta que ele faz questão de desmentir. Mas como é costume seu utilizar-se da mídia, que até o ajudou a se eleger, muitos não titubeiam em afirmar ter sido ela proposital. Incêndio nas florestas amazônicas! Com toda certeza um tema polêmico por excelência, alguns até procurando colocar a culpa de tais incêndios em sua pessoa. Exagero, com certeza. Esse incêndio florestal ameaçou até balançar as relações com potências europeias, com relação ao fundo existente para preservar o meio ambiente mundial, notadamente a nossa região amazônica.

Deveria Bolsonaro maneirar nas suas declarações públicas? Deveria ele mudar sua maneira de portar-se perante jornalistas, sem se abrir totalmente e sempre deixando no ar algumas respostas mais contundentes? Alguns acreditam que sim. Como o presidente da Câmara, por exemplo. Pode ele ser entrevistado por longos minutos e jamais deixará claro realmente o que pensa, o que ele pretende, o que defende. Sabe e tem experiência para isso, portar-se politicamente em todos os momentos, jamais se contradizendo, mas também jamais deixando claríssima a sua posição final, assim como a maioria esmagadora de nossos políticos.

As opiniões são divergentes. Mas fica uma pergunta, que não precisa ser obrigatoriamente a final. Vale mais a verborragia política, de um desses que já conhecemos se sobra, ou valerá mais essa permanente quebra de protocolo porém dentro de um governo que prima pela honestidade, que não importuna nem permite que se importune nossos cofres públicos? O que valeria mais, ouso repetir. A honestidade, pura e simples, ou a demagogia, que entope a maioria de nossos palácios e câmaras governamentais?

Nelson Faillace
Escritor e poeta Lençoense

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