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Drogas




Um novo ano pode representar uma vida nova para quem quer mudar alguns hábitos; Ricardo, um dos fundadores da CAPE, fala sobre o árduo trabalho de prevenção às drogas

Angelo Franchini Neto

Chegou mais um Ano Novo. Época de renovar as esperanças, de promessas, de melhoras pessoais e profissionais. É em janeiro também que muita gente começa uma vida nova, deixa para trás o que é ruim e se prende a tudo de bom que a vida tem a oferecer. E quando falamos em coisas ruins, logo as drogas (ilícitas ou não) vem à nossa mente, não é mesmo? Quem tem propriedade para falar do assunto é Ricardo dos Santos. Não por conhecer pessoalmente esse mal, afinal, Ricardo nunca foi usuário. Mas sim pelo trabalho desenvolvido na CAPE (Casa de Apoio Projeto Esperança).

“O trabalho de cuidados com dependentes químicos começou em 2010, através do pastor Marcelo, do Paulinho Vitaliano e de outras pessoas que atendiam moradores de rua. Naquele momento o pastor Marcelo me perguntou se eu gostaria de participar do processo de recuperação de dependentes químicos. Nós começamos o trabalho sem conhecer o assunto. Foi mesmo pela fé, coragem e amor”, conta Ricardo.



Fé, coragem e amor necessários para que o trabalho seja realizado com sucesso. “Temos visto o quanto é sofrido parar com as drogas, mesmo que o dependente químico demonstre vontade”, lembra Ricardo. Na CAPE, mesmo com o trabalho de excelência ali desenvolvido, a taxa de recuperação chega a apenas 10%. Prova de que a prevenção é o melhor caminho. “Nada melhor do que o cuidado dos pais, um abraço carinhoso, o elogio e também a repreensão. Infelizmente a nossa sociedade perdeu um pouco a noção do que é educar. Os pais trabalham o dia todo e, quando chegam em casa, não dão atenção devida aos filhos. Essa falta de diálogo é um fator de risco importante, juntamente com o uso de cigarro, de bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de droga dentro de casa”.

Se prevenir não deu certo, é hora de recuperar o dependente químico. Apesar de ser mais longo e tortuoso, o caminho segue praticamente as mesmas regras da prevenção. “Na maioria das vezes o dependente químico não sabe lidar com um gole de cerveja ou uma taça de vinho, pois isso desencadeia o uso de outras drogas já conhecidas. Por isso novamente a família é importante. Não dá mais para falar para a criança ou para o adolescente que a droga mata, isso é fato e todos nós sabemos. Assim como não dá para esconder que o prazer que ela gera é muito grande. O cara troca o filho e a mulher por uma pedra de crack, e isso é algo que presenciamos quase que diariamente”.

Para finalizar, Ricardo faz um alerta a toda sociedade. “Outro fator de proteção é encarar que todos nós somos responsáveis por todos nós. Pouca gente entende isso. Por exemplo: se eu estou em uma praça pública e vejo um grupo de garotos fumando maconha, tenho que ir lá e conversar com eles sobre as consequências. Só assim vamos conseguir mudar a sociedade para melhor”.