Conquistando o seu espaço

Gertrudes




No mês dedicado a elas, conheça a vitoriosa história de vida de Gertrudes Moreira Campanari, a mulher que sonhou alto e conquistou o merecido respeito de lençoenses e macatubenses

Angelo Franchini Neto

O Dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março como forma de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos. E nesse mês tão especial, a Revista O Comércio decidiu homenagear as mulheres através de uma de suas representantes mais icônicas, amadas e admiradas de Lençóis Paulista e Macatuba.

O trabalho voluntário é sua marca registrada. Mas não é somente essas ações de bondade que tornam Dona Gertrudes Moreira Campanari uma mulher de destaque. Aprendeu a ler sozinha em uma época na qual a mulher era vista apenas como dona de casa, lutou pelos seus objetivos e venceu.


Da infância sofrida ao reconhecimento

Dona Gertrudes nasceu em Macatuba, no dia 9 de março de 1932, filha de João Moreira de Souza e Lazara Bernardes. Viveu toda a sua infância no sítio Cachoeira, no município de Macatuba, e se mudou para a cidade aos 12 anos. Aos 17, veio para Lençóis Paulista.

Dona Gertrudes se casou aos 19 anos com Osmindo Campanari, com quem teve três filhos: Izabel Cristina, José e Osmindo, que lhe deram sete netos, Silvia Amélia, João Raphael, José Renato, José Arthur, Ana Carolina, João Vitor e Maria Luiza. Também foi agraciada por seis bisnetos.

Depois de morar pouco mais de dois anos em Lençóis Paulista, em 1952, voltou ao município de Macatuba, onde estabeleceu residência na Usina São José. Sempre dedicada ao próximo e à comunidade, nos 18 anos que viveu na Usina São José, participou de todas as atividades e iniciativas daquela comunidade. Naquela época (de 1952 a 1970), a Usina São José era uma pequena cidade, com muitos moradores e vida social, cultural e religiosa bastante intensa.

Curiosa, observadora e determinada, sem nunca ter ido à escola, Dona Gertrudes aprendeu a ler e escrever observando os irmãos, perguntando e pesquisando sozinha. Hoje, ao ler seus textos, fazer seus relatórios e dar palestras, ela fica surpresa quando lhe perguntam se é professora, ou qual a faculdade cursou.

Apesar de ter uma relação muito próxima com Macatuba, foi aqui em Lençóis Paulista que Dona Gertrudes mais exercitou esse seu lado generoso e se dedicou ao trabalho beneficente. Inicialmente, acompanhando seu marido como rotariano em suas campanhas em prol das necessidades diferentes entidades ou pessoas que precisavam de assistência. Na igreja, como membro da comunidade da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, foi sempre presente como catequista, ministra da Eucaristia e palestrante, nunca deixando de dar seus toques talentosos com bordados especiais e cuidados com os paramentos.

Mas foi no Hospital Nossa Senhora da Piedade que Dona Gertrudes começou, em 1991, um dos mais importantes trabalhos da sua vida. Convidada pelo então provedor do hospital, Antonio Lorenzetti Filho, para coordenar a recém fundada Sociedade Amigos do Hospital Nossa Senhora da Piedade, Dona Gertrudes tem feito, desde aquela data, um trabalho digno de reconhecimento de toda a comunidade lençoense. À frente de sua equipe, coordena os eventos para levantar recursos que possibilitem à Sociedade Amigos do Hospital se responsabilizar por toda a rouparia do hospital, provendo à instituição de lençóis, cobertores, fronhas, travesseiros, toalhas, uniformes e uma série de outros materiais imprescindíveis ao funcionamento do hospital.

Hoje, com 87 anos de idade, ainda é ela quem coordena todas as atividades da Sociedade Amigos do Hospital Nossa Senhora da Piedade, desde a prospecção de novos sócios, até controle de recebimento de mensalidades, compra de materiais, organização de eventos especiais e coordenação de equipe de costura. Sem ter nascido em Lençóis Paulista e morado fora desta cidade quase metade de sua vida, Dona Gertrudes é uma verdadeira lençoense. Quando olha para trás, ela vê um passado sofrido, mas bastante digno. “Apesar das dificuldades, sempre sonhei alto, tive paciência e esperei o momento certo para vencer. Cheguei onde queria, apesar de o caminho ter sido tortuoso. Também peço forças todos os dias a Jesus, pois apesar de ter feito muito, quero fazer ainda mais”, completa Dona Gertrudes.

“A mulher já conquistou muita coisas”

Sobre o espaço que as mulheres conquistaram na sociedade, Dona Gertrudes se diz otimista. “Com a idade que tenho e tudo o que vivi, percebo que as mulheres conquistaram muitas coisas, mas ainda têm muito o que conquistar. Antigamente ela era submissa e não tinha direito de estudar ou fazer parte dos negócios da família. Hoje já é diferente, a mulher é dona de casa e exerce a sua profissão, com êxito e capacidade, pois tem a visão de captar as situações e de agir sobre o problema”.