Corrupção, desenvolvimento e cidadania

Ecossistemas





A corrupção é algo endêmico na cultura brasileira desde os tempos da colonização do Brasil.

É considerada um desvio moral e legal e sua interpretação está muito além da popularidade do termo. As pessoas explicam a corrupção como desvios multimilionários de dinheiro público ou privado, mas a contextualização está impregnada nas pequenas coisas do nosso cotidiano.



A corrupção está presente no setor público, nas empresas privadas, nas religiões e até mesmo no seio familiar. Todas as vezes que os interesses pessoais se sobrepõem aos interesses públicos, corporativos e coletivos, aí estão caraterizados os atos de corrupção. A corrupção só é concretizada quando há o fechamento do ciclo vicioso de omissão, intensão e conivência, estando de um lado o corrupto e do outro o corruptor.

A corrupção é a principal causa do atraso econômico e da pobreza dos povos. Todas as vezes que se fecha o ciclo da corrupção, um hospital é deixado de ser construído ou de estar funcionando e o país é cada vez mais deixado para trás. Se não fosse a corrupção endêmica, o Brasil seria, no mínimo, a quarta maior economia mundial, um dos países que mais conservaria o meio ambiente e a população estaria socialmente melhor.

A omissão daqueles que poderiam fazer e não fazem, daqueles que intencionalmente são instrumentos de putrefação moral de nossa sociedade. São pessoas que poderiam estar contribuindo para a diminuição e se omitem por medos ou por conchavos.

A corrupção está presente nas pequenas atitudes do cotidiano, quando o agente deveria ser honesto na fila do supermercado e dá um “jeitinho” de tomar o lugar do outro. Também está presente nas atividades profissionais, quando há maquinação premeditada de fazer algo para atrapalhar o trabalho alheio.

Enfim, o que podemos fazer para combater essas atitudes, que na escala de grandezas são responsáveis pelo apodrecimento moral de uma sociedade corrompida pela secular premissa de levar vantagens em tudo?

Todo cidadão possui a obrigação de exercer o livre combate à corrupção, com posturas éticas e morais, desde que haja um compromisso ideal de estabelecer bons conceitos. O omisso é o pior dos corruptos, pois sua passividade é o combustível para a proliferação da corrupção, uma vez que excluiu-se de fazer algo que poderia combater a imoralidade ou a ilegalidade.

Sidney Aguiar
Pesquisador, especialista em Sustentabilidade, Direito Ambiental e Recursos Hídricos.

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