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Taioque une poemas e desenhos, em literaturas de cordel de tirar o fôlego; dom para a música e para a xilogravura ajuda no processo criativo

Angelo Franchini Neto

A literatura de cordel é um tipo de poema popular, oral e impressa em folhetos, geralmente expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. É a combinação perfeita entre palavras e desenhos, que somados ao ritmo, apresentam aos leitores um mundo mágico e de tirar o fôlego.

Cristiano Aparecido Taioque é um desses artistas apaixonados pelo cordel. Mais do que isso, ele produz literatura de cordéis, que ainda dão origem a xilogravuras (técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou outro suporte adequado) e até músicas. Ou vice-versa, como ele mesmo define.



“A paixão por música, poesia e por poemas começou muito cedo. Nos anos 90, no auge do grunge (subgênero do rock), eu e meus amigos fazíamos alguns desenhos e produzíamos jornais underground para distribuir em frente às escolas. Quando comecei a me interessar pela literatura de cordel, vi que aquilo tinha muito a ver com o meu pensamento underground da época. Por exemplo: o que aconteceu na Guerra Canudos foi uma baita revolução contra o estado. Depois que li Os Sertões (clássico livro de Euclides da Cunha) percebi que aquilo que o que eu queria para a minha vida”.

O tempo passou e a imaginação de Taioque ganhou novos contornos, literalmente. “Não foquei somente na literatura de cordel e passei para a xilogravura, unindo ao meu conhecimento pela música. Como tenho algumas composições próprias, aproveito para utilizá-las nas xilogravuras e nas literaturas de cordéis que crio, ou vice-versa”. O processo criativo de Taioque, hoje, surge durante o dia a dia. Ele busca inspiração em coisas simples, que para muitos podem parecer algo sem cultura. “Se paramos para pensar, tudo tem uma vertente cultural. É só olharmos de maneira diferente”.

Ser da Cidade do Livro, ao mesmo tempo que pode parecer uma baita responsabilidade, também é um incentivo para Taioque. “Gosto de participar das ações culturais realizadas na cidade, inclusive os meus trabalhos sempre estão nas exposições realizadas pela Casa da Cultura”.

Para um futuro próximo, a ideia é produzir um fanzine (publicação não oficial e não profissional), em parceria com a irmã e um amigo. “Será um projeto bastante elaborado, que será distribuído na cidade”, finaliza Taioque.