Disfunção sexual feminina

Sexual





A sexualidade feminina, em nossa cultura, esteve quase sempre voltada para a procriação.

Somente nos últimos 70 anos é que as mudanças sociais e descobertas científicas propuseram novas formas de reconhecimento do valor do prazer sexual da mulher. Em nome da pureza das garotas de família, as informações sobre sexualidade eram sempre marcadas por censura e preconceitos. E hoje, começo o artigo contextualizando sobre as causas psicogênicas das dificuldades sexuais femininas.



Mesmo atualmente, em plena segunda revolução sexual, é comum encontrar o modelo de moça que não pode expressar seu prazer no ato sexual. No Brasil, segundo pesquisas da Faculdade de Medicina de São Paulo, 8,2% das mulheres se queixam de absoluta falta de desejo sexual (desejo hipoativo); 26,2% não atingem o orgasmo; 26,6% têm dificuldade de excitação; e 17,8%, dispareunia (dor no ato sexual). Acredito que esses números sejam maiores e que somente não são diagnosticados devido à inibição da paciente para relatar a queixa ou devido à falha do médico ao não perguntar.

No grupo dos transtornos dolorosos estão a dispareunia e o vaginismo que trata do Transtorno de dor genitopélvica/penetração. Dificuldades persistentes ou recorrentes em um ou mais: penetração vaginal durante a relação sexual; dor pélvica ou vulvovaginal intensa durante o intercurso ou nas tentativas de penetração; intenso medo ou ansiedade a respeito de dor em antecipação, durante, após com intensa tensão da musculatura do assoalho pélvico durante a tentativa de penetração vaginal e acontecer por pelo menos seis meses consecutivos.

Mulheres com dispareunia tendem a continuar o intercurso sexual apesar da dor, motivadas por culpa, senso de dever e preocupações com o parceiro, enquanto mulheres com vaginismo tendem a evitar atividade sexual com penetração; tais comportamentos podem perpetuar a agravar a sintomatologia.

As causas podem ser orgânicas, ou seja, infecção, depressão, uso de medicamentos que diminuem a libido, mas muitas vezes a etiologia é psicológica, ligada a problemas emocionais que podem abranger dificuldades com o(a) companheiro(a), econômicas, existenciais, menopausa, traumas e incapacidade em expressar-se sexualmente.

A psicoterapia deve ser bem estruturada para verificar todos os fatores que interferem incluindo tabus, preconceitos, conceitos distorcidos sobre a anatomia, comprometimento do cônjuge, esclarecendo e ressignificando muitos aspectos sobre o desempenho sexual.

Dra. Salete Cortez
Psicóloga clínica, pós-graduada em Sexualidade Humana e especialista em Pânico e Depressão

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