Doenças oculares em mulheres

O oftalmologista Daniel Ramos Parente trata das enfermidades que atingem o público feminino com maior prevalência

 

As mulheres são particularmente susceptíveis às doenças oculares por vários motivos. As variações hormonais durante a vida, como a gravidez e menopausa podem induzir alguns problemas oftalmológicos. Além disso, a maior longevidade nas mulheres faz com que nelas as doenças oculares da senilidade sejam mais prevalentes. Outros problemas oculares são mais frequentes em mulheres que homens, sem ter uma razão específica como a obstrução lacrimal ou dacrioestenose. Fatores culturais e estilo de vida também afetam em maior ou menor prevalência de uma determinada doença ocular.

Motivos culturais fazem com que as mulheres recorram muito mais aos serviços de oculoplástica do que os homens. A blefaroplastia das pálpebras superiores lidera a estatística dos procedimentos mais procurados, proporcionando além de uma maquiagem de melhor qualidade, um olhar mais jovial e agradável naquelas mulheres que necessitarem realizar o procedimento. Já o pterígio e a pinguécula são menos frequentes em mulheres por estarem menos expostas no trabalho à radiação ultravioleta do sol que os homens.

As mulheres devem, também, ter cuidados redobrados com a saúde ocular durante a gestação. É muito comum nas gestantes a mudança no índice de refração. Durante a gestação, devemos informar que não se deve trocar os óculos, deve-se esperar porque esta variação da refração se normaliza após o parto. Existem também as alterações patológicas associadas à gravidez de risco, como por exemplo, a diabetes gestacional, na qual a mulher está sujeita a apresentar alterações graves de fundo de olho. O mesmo acontece com as portadoras de hipertensão arterial.

 Na menopausa, ocorre a interrupção da produção do estrogênio, levando a diminuição da produção da lágrima e a alterações no filme lacrimal. Consequentemente, o quadro de olho seco torna-se muito mais frequente em mulheres do que nos homens. Os sintomas são sensação de areia nos olhos, queimação, coceira e desconforto a luz. Nem todas as vezes o olho seco se deve à deficiência de lágrima. Lágrima de baixa qualidade ou excesso de evaporação também podem existir. Em casos graves, podem ser observados ceratite, lesões na córnea, redução da visão ou até mesmo cegueira.

Mulheres vivem mais do que os homens e, por isso, estão mais suscetíveis às doenças naturais do processo de envelhecimento, como a catarata, a DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), que causa a perda gradual da visão central, além do glaucoma e da retinopatia diabética, entre outros problemas de visão.

Algumas doenças sistêmicas que podem vir a afetar os olhos e a visão atingem com mais frequência as mulheres, como a Artrite Reumatoide, o Lúpus, Sjogren, Doença de Graves, entre outras. Além do que, a Esclerose Múltipla, muito mais frequente em mulheres, pode causar uma neuropatia óptica com perda significativa da visão. Algumas doenças oculares são intrinsecamente mais frequentes em mulheres, como a Distrofia de Fuchs, que afeta o endotélio da córnea, podendo levar a perda da transparência corneana e necessitar de transplante.

Independentemente do momento da vida em que esteja, além das visitas regulares ao oftalmologista, a principal recomendação para a mulher preservar a saúde dos olhos é manter um estilo de vida saudável: não fumar, adotar uma dieta adequada, não ingerir bebidas alcoólicas em excesso, praticar exercícios físicos, evitar situações de stress e usar óculos com proteção contra a radiação ultravioleta.