Dra. Salete responde #6

Sexual




Masturbação é o tema principal da coluna nesse mês; tire as suas dúvidas!

Eu e minha namorada temos uma vida sexual bastante ativa, porém, ainda me masturbo com certa frequência. Isso pode ser um problema? A.J.R., 22

A masturbação é um ato de gerar prazer através do estímulo dos órgãos sexuais e, ao longo da história da humanidade, tem sido fonte de muitos conflitos diante da repressão das religiões. Mas, acima de tudo, a masturbação é essencial para o desenvolvimento da própria identidade, do conhecimento do corpo e aprendizagem sobre a excitação sexual. É mais frequente na adolescência, mas pode perdurar por toda a vida. É uma prática saudável e necessária, não precisando ser realizada somente com o(a) parceiro(a). Essa é uma necessidade individual. Então, não se sinta culpado ou constrangido. Pensar em sexo e sentir vontade de se masturbar é absolutamente normal, ainda mais na sua idade.



Certo dia, vi no YouTube uma reportagem a respeito do “NoFap Challenge” (ficar em abstinência de pornografia, sexo, masturbação e outros). Essa prática realmente traz benefícios? J.R.H., 40 anos

No mundo atual, a disseminação de vídeos e a estimulação variada com conteúdo muitas vezes excêntrico e até patológico provocaram uma obsessão por masturbação em um formato que retirou do homem até o prazer do sexo real. Muitos homens já não sentem vontade de praticar, mas apenas de olhar e de se masturbar. O objetivo do “Nofap Challenge” é o de, através de um desafio coletivo, ficar o máximo de dias possível sem se masturbar e sem assistir pornografia (principalmente as hardcore). Caso a pessoa não aguente, poderá se masturbar somente utilizando as próprias fantasias sexuais, ou seja, sem pornografia.

A proposta afirma que tal prática resultará em ereções mais fortes e duradouras nas relações reais. Acho oportuna tal proposta, pois o homem passa a obter mais prazer na realização do ato daquele exato momento ao invés de ficar dependente somente de imagens de movimentos performáticos e, às vezes, sem saborear e se deixar levar por aquele rio de sensações. Nesse sentido, para a mulher, também é um ganho.

Outros benefícios que enfatizam é um orgasmo mais prazeroso (e quem não quer?); maior nível de testosterona no sangue e tornando-se mais atraente para as mulheres devido à concentração de feromônios; maior disposição e autoconfiança e, também, prometem acabar com a disfunção erétil (achei esse item questionável), mas, no geral, é positiva a proposta, pois o homem está se perdendo nas compulsões e patologias a que estão expostos no virtual e que afetam a qualidade de vida como um todo.

Não gosto de praticar sexo oral com o meu esposo, mas o faço para agradá-lo. A minha atitude é correta? H.L.O., 32 anos

A forma como descreve sua dúvida revela que talvez faça sexo para satisfazer o parceiro e que não se permite sentir as sensações sexuais mais profundas. Desta forma, você atua, mas não sente e não se entrega às sensações.

Acredito que rever a forma de experienciar a própria sexualidade pode ajudar muito, começando por conhecer o próprio corpo na masturbação quando estiver sozinha. Você é muito nova para viver somente para agradar ao outro. Assuma o controle e acredite que você pode se fazer muito mais feliz.

Tenho o desejo de inverter os papéis na hora H com a minha esposa. Como conversar esse assunto com ela? O.S.J., 38 anos

A sexualidade é ampla e difusa. Os caminhos do desejo e das fantasias são muito particulares.

Na hora “H” tudo é permitido se houver consentimento de ambos. Pode falar com ela sobre fantasias sexuais, perguntar as dela, propor a realização de algumas e ir ampliando o repertório gradativamente. Pode incluir massagens e brinquedos sexuais que satisfaçam a ambos. Então, irão fazendo escolhas e experimentando juntos.