Educação sexual: você aprova?

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Com tanta informação no ar, será que dá para aprender todo o manual logo de saída? Como fazer sexo seguro, expectativas para o encontro ideal, rituais da sedução, dor da paixão, mitos, entre tantas outras questões que envolvem a sexualidade humana. Não há dúvidas que o mais interessante para a saúde física e emocional do adolescente seria receber a educação sexual em casa e a mesma ser complementada na escola.

Na prática, a maioria das famílias dos adolescentes não cuida da questão por não saber como lidar, ou seja, não planeja e tampouco estuda sobre a melhor forma de abordagem. O fato dos pais fazerem sexo não é condição para uma transmissão interessante de informações, mas nunca foi tão importante buscar conhecimento.



A indústria do sexo promove pareceres “médico-científicos” sem nenhum fundamento, banaliza o encontro sexual e provoca sofrimentos em função dos falsos parâmetros que divulga para a população. Um exemplo disso são as fotografias ou imagens de pessoas com órgãos sexuais de tamanho desproporcional ao natural. As próteses e cremes milagrosos que prometem aumentar o tamanho do pênis entram pela fresta da insegurança do rapaz inexperiente e desinformado, fazendo-o supor que o prazer sexual feminino depende somente do tamanho do órgão dele.

Por outro lado, as meninas aprendem sobre como conquistar um garoto sendo a mais disponível sexualmente possível por acreditar que assim serão amadas, e para tal, não podem exigir o uso de preservativos por medo de serem rejeitadas.

Uma das perguntas mais frequentes dos adolescentes ainda é sobre masturbação. As dúvidas se referem à possibilidade de causar loucura, doença e de ser responsável por crescimento anormal de pelos na mão. Como você sabe, dúvidas de outros tempos. E o que as estatísticas sinalizam? Tanta (des)informação, e na hora “H” o desempenho sexual das pessoas de todas as idades ainda acontece aos tropeções.

Atualmente, deixar que as coisas simplesmente aconteçam coloca os jovens em risco, haja vista o sexo virtual e suas consequências indesejáveis de exposição das imagens em redes sociais, os comportamentos sexuais de risco, gravidez precoce, abuso sexual, entre muitos outros.

Ao contrário do que as pessoas pensam, a educação sexual do jovem não o estimula a ter relações sexuais precoces, muito pelo contrário, promove o desenvolvimento da reflexão, de uma consciência crítica que o sensibiliza a optar por atitudes responsáveis a respeito de sua sexualidade na hora da tomada de decisões. É estar emocionalmente pronto para lidar com suas próprias sensações e as pressões que pode vir a sofrer.

Dra. Salete Cortez
Psicóloga clínica, pós-graduada em Sexualidade Humana e especialista em Pânico e Depressão

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