Em cena, Nilceu

Cultura




Filho da Cidade do Livro, ator fala da relação com a arte e do papel na cultura lençoense

Priscila Pegatin

Cultura e Nilceu Bernardo são praticamente sinônimos, afinal, é impossível falar do cenário cultural de Lençóis Paulista sem a interferência dele. Mas, nem ele mesmo imaginava que essa história seria assim. Menino tímido e solitário da Fazenda Fartura, como se descreve, um dia ele resolveu encarar a realidade do que sempre quis fazer: arte! Foi assim que descobriu o que o mundo poderia oferecer.

Hoje, coleciona papeis, histórias e funções. Nilceu é diretor da Cia Teatral Atos e Cenas, agente cultural do Museu Alexandre Chitto, professor de teatro na Casa da Cultura e curador da ALIC (Associação Lençoense de Incentivo à Cultura).


A peça que mudou sua história

Essa trajetória cultural começou no final da década de 80, quando Nilceu assistiu à peça “Morte e vida Severina” no UTC (Ubirama Tênis Clube). Sem conhecimento técnico sobre o espetáculo, a peça tocou mesmo foi o seu coração. Sim, de lá para cá ficou difícil se distanciar dos palcos. “Esse foi o estímulo para organizar um grupo para estudar teatro e que depois resultou na Cia Teatral Atos e Cenas”, diz.

Passada a euforia da adolescência, Nilceu até que tentou deixar a arte como mera figurante na vida. “Comecei Direito, Educação Artística, mas depois vi que minha ansiedade era por teatro”, relembra. E foi na Capital que se formou ator pelo Teatro Escola Macunaíma, além de outros cursos que fez que o ajudaram em cena e por trás dos palcos.

Cia Atos e Cenas

Daquele grupo de apaixonados pela arte na década de 80, surgiu a Cia Atos e Cenas. Com quase 30 anos de existência, lá Nilceu se aperfeiçoou. Na lista de atuação como ator e diretor são mais de 60 peças, muitas consideradas um marco. “Quando fizemos ‘Máscaras’, em 1994, ganhamos vários prêmios e a partir de então nossa responsabilidade aumentou”, conta. “O espetáculo ’Dorotéia’ de Nelson Rodrigues também foi um trabalho intenso. Na estreia ganhamos todos os prêmios – melhor direção, interpretação, figurino. A gente trazia tudo”, brinca Nilceu.

Entre as peças de destaque tem ainda “Histórias de um boneco Pinóquio”, há quase dez anos no repertório e “Quero a lua”, sucesso com cinco temporadas em São Paulo.

No espetáculo da vida

De ator para diretor e entre outras funções Nilceu escreveu sua história na arte e se orgulha em apresentar a cultura aos lençoenses, antes privilégio de moradores das grandes capitais. “Lá atrás fiz a opção de ficar em Lençóis Paulista e expandir o interesse e a importância do teatro para as pessoas daqui”, diz. “Hoje, quando vejo os moradores indo ao Teatro Municipal fico muito satisfeito e feliz. Sei que sou privilegiado por fazer o que gosto na minha cidade e por lidar com temas importantes e transformadores na vida das pessoas”, finaliza.