Herói de farda

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À serviço da comunidade, sargento Sabatini conta sobre a rotina no Corpo de Bombeiros e a importância da unidade no município

Priscila Pegatin

Foi em uma ocorrência em São Manuel, quando era cabo da Polícia Militar, que Luiz Carlos Sabatini decidiu que queria mudar de profissão. “Um caminhão perdeu os freios, entrou em uma residência e tombou. O motorista ficou preso nas ferragens e eu fiquei por cerca de uma hora tentando acalmar a vítima. Estava chovendo, fiquei ajoelhado e todo sujo”, relembra o agora sargento Sabatini.

Com a chegada do Corpo de Bombeiros em pouco tempo, o motorista foi retirado do local e a população, que acompanhava todo o procedimento, aplaudiu e demonstrou a sua admiração pela profissão dos heróis de farda. “Então comecei a pensar em deixar de ser policial e me tornar um bombeiro”, diz ele.



Nova profissão, nova rotina

A mudança de área de atuação – de policial para bombeiro – incluiu muito estudo, dedicação e perseverança. “Entrei para a escola de sargento, fiz oito meses de curso, me formei e depois de dois meses prestei concurso interno para bombeiro. Passei e fiz um curso de seis meses integral, em Franco da Rocha”, conta Sabatini, que ganhou o título final de sargento do Corpo de Bombeiros.

As primeiras ocorrências com a nova farda foram na cidade de Piracicaba. E seis meses depois ele já estava na estação de Lençóis Paulista. “A base foi inaugurada em dezembro e em janeiro fui transferido”, diz.

O dia a dia da profissão

Com uma rotina de ocorrências e treinamentos do tempo que ficou e atuou no operacional, sargento Sabatini recorda de alguns chamados importantes, como o descarrilamento de trem com vazamento de combustível, o helicóptero que caiu durante uma feira, uma explosão na área industrial e incêndios em residência. “No operacional foram nove chamadas de incêndios em residências, duas com vítima fatal”, diz.

Apesar da contribuição para com a sociedade, o sargento sempre almejou algo a mais. Desde aquela ocorrência que tinha despertado o seu desejo em fazer parte do Corpo de Bombeiros, ele sabia que queria liderar pessoas. “Fui subordinado de dois comandantes aqui e fiquei três anos e seis meses comandando a prontidão amarela (as equipes são divididas em cores).

Depois, com a aposentadoria do tenente Cruz, fui convidado para assumir a base, afinal eu era o sargento mais antigo daqui”, diz ele. “Passei por avaliações do comando e há sete anos estou na função”, relata, orgulhoso por ter se dedicado a realizar um sonho.

O cargo trouxe consigo novas atribuições administrativas e na área de prevenção, como visitas técnicas em empresas e comércio para minimizar o risco de um acidente. No entanto, sempre que preciso, o sargento sai em ocorrência operacional.

Cada atendimento uma vida

Tantos anos atuando como Bombeiro, sargento Sabatini sabe que apesar do preparo, conhecimento técnico e prático, muitas das ocorrências são marcadas pela emoção, algumas delas que ele mesmo faz questão de contar. “Fizemos o socorro de uma criança de dois anos e dez meses atropelada. Quando fazia o procedimento no menino, via nele o rosto da minha filha”, relembra. “Fizemos tudo que era necessário e avisamos o hospital sobre a chegada do garoto. Os médicos ficaram mais de uma hora em atendimento, mas não conseguiram salvar a criança. Eu não aguentei, fui até a capela do Hospital, ajoelhei e comecei a chorar. Fiquei mal por um tempo”, diz ele, ainda sentindo a perda.

Mas também há momentos alegres que são lembrados com carinho. “Chegamos na ocorrência e o bebê estava nascendo, não dava tempo de colocar no resgate e como temos o material necessário, fizemos o parto. Foi minha primeira ocorrência de parto na prática”, conta. “Após o nascimento, levamos o bebê e a mãe na maternidade e a médica elogiou a forma como foi feito o procedimento. Foi muito gratificante, fiquei muito feliz”.

Felicidade essa que também é compartilhada por quem já precisou de ajuda. “Ah, tem bastante gente que vem aqui agradecer, tirar foto. Tem reconhecimento”.

Corporação lençoense

No comando há sete anos da estação do Corpo de Bombeiros da Cidade do Livro, sargento Sabatini defende a importância que a base tem para o município e a região.

Na equipe são 15 bombeiros que atendem Lençóis Paulista, Areiópolis, Macatuba e Borebi, e contam com suporte do Samu e do serviço de Resgate Integrado.

O dia a dia inclui ocorrências, serviços e rotina de treinamento, simulações, estudos e projetos, como o Bombeiro Mirim, destinado a alunos dos 11 aos 14 anos matriculados no Ensino Fundamental, que já formou oito turmas.

Já em atendimento, o sargento faz questão de frisar que cada segundo é importante. “Em três minutos e meio, uma bituca de cigarro no sofá queima o cômodo. Cada segundo é importantíssimo e o desafio é sempre chegar na ocorrência e ajudar o próximo. Quanto mais rápido a vítima for atendida, menores serão os problemas físicos e materiais que ela poderá adquirir”.

Por trás da farda

Aos 47 anos e com uma rotina intensa de trabalho, sargento Sabatini tem a opção de se aposentar em breve. Ainda pensando sobre o assunto, ele já chega a imaginar uma vida longe da farda. “Sou formado em Educação Física, talvez atue como professor ou personal trainer”, diz ele. Por falar em esporte, este é seu hobby favorito. “Adoro musculação e natação”, conta o sargento, que aproveita as folgas para curtir a esposa, Aline Maria Mirandola Sabatini e a filha Gabriela Mirandola Sabatini, de 14 anos, em São Manuel. Descanso este merecido e com a certeza de ter realizado um belo trabalho.