Infectologista alerta sobre sarampo

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Imunização é feita por meio de vacinação

O número de casos confirmados de sarampo este ano em todo o estado de São Paulo subiu para 633, conforme balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Segundo a infectologista Geovana Momo Nogueira de Lima, cooperada da Unimed de Lençóis Paulista, há duas décadas não se tinha relato de casos de sarampo no Brasil. “O Brasil estava classificado como país onde o sarampo estava erradicado. Mas a globalização, a circulação maior de pessoas entre as nações combinados com o fato de as pessoas deixarem de se imunizar, o vírus voltou a circular. Há pessoas suscetíveis porque não têm a vacina em dia e voltamos a ter casos de sarampo”, alerta a especialista que completa. “Na capital do Estado temos mais de 480 casos confirmados e mais de 1,5 mil casos aguardando resultado de exames que podem confirmar a doença. Na região temos casos confirmados e suspeitos em cidades como Botucatu e Bauru”, avisa.

A imunização contra o sarampo é feita por meio de vacinação. “A dose deve ser ministrada na criança com 12 e 15 meses de vida, segundo o calendário nacional. Devido ao surto que estamos vivendo na cidade de São Paulo, lá se preconizou vacinar a criança a partir do sexto mês de vida. Quem nunca recebeu uma dose de vacina, a gente preconiza de 14 a 29 anos e pelo menos duas doses com intervalo de 30 dias. Para as pessoas entre 30 e 49 anos, uma dose da vacina é suficiente. Acima dos 50 anos não se preconiza vacinar porque essas pessoas já tiveram contato com o vírus do sarampo e estão imunes naturalmente ou já foram imunizadas nas campanhas do passado”, informa.

O público alvo da campanha atual é o público de 14 a 29 anos. São pessoas na faixa etária que, quando na infância entre 12 e 15 meses de vida, podem não ter recebido a segunda dose da vacina. “São pessoas mais suscetíveis ao sarampo e, por isso, esse grupo é o alvo desta nossa campanha”, orienta.

O sarampo é doença conhecida. É uma doença viral, infecciosa (altamente contagiosa) e apresenta como sinais iniciais dor de garganta, coriza, congestionamento nasal que evolui para uma conjuntivite. Destaca-se pela presença da vermelhidão na pele, começando pela cabeça e se espalha por todo o corpo. “O meio médico identifica as manchas do sarampo como exantema, são erupções na pele que formam até algumas bolhinhas – o exantema mobiliforme. Na boca da pessoa costumam surgir umas manchas esbranquiçadas, outra característica do sarampo”, exemplifica.

Altamente contagioso, o sarampo espalha-se entre a população pelo contato com secreções: saliva, espirro, por meio respiratório ou outros meios, assim como se transmite o vírus da gripe. “O mais comum é a transmissão por vias respiratórias”, resume a médica, que finaliza com um alerta: “o sarampo é uma doença perigosa, tem chances de levar a pessoa óbito. Tem várias complicações, desde meningite, pneumonia, encefalite. Nas crianças, o sarampo pode deixar sequelas que vão se refletir na vida adulta. É uma doença perigosa, sim.”

Confira a entrevista na íntegra?

O sarampo era doença praticamente erradicada no Brasil e reapareceu, inclusive com casos na região?
Dra. Geovana – É preocupante, porque o sarampo é uma doença viral e altamente contagiosa. Era considerada erradicada no Brasil até algum tempo, mas agora voltou. São vários casos no Estado de São Paulo, com a concentração do maior número de casos na Capital. Na região temos casos confirmados em Botucatu e Bauru. Isso quer dizer que o vírus está circulando na região.

Como se identifica que a pessoa está com sarampo, quais os sintomas?
Dra. Geovana – Entre os sintomas mais comuns estão a coriza (nariz escorrendo), a dor de garganta, a conjuntivite e manchas avermelhadas pelo corpo (exantema, no meio médico). Toda vez que se presenciar este tipo de sinais, é bom procurar o atendimento médico para que se faça uma correta avaliação do quadro do paciente.

Sarampo se combate com informação e vacina?
Dra. Geovana – Sim, temos um calendário vacinal no Brasil que imuniza as crianças contra o sarampo aos 12 e 15 meses de vida. Aconteceu que, por algum período, a segunda dose da vacina (aos 15 meses de vida) não estava sendo ministrada nas nossas crianças. Estamos em campanha para que as pessoas voltem a ser imunizadas corretamente. Por isso, o público alvo da vacinação são os adolescentes a partir dos 14 anos até o adulto jovem de 29 anos. Esta faixa etária em algum momento ficou sem receber a segunda dose da vacina. O adolescente a partir dos 14 anos e o jovem adulto até os 29 anos estão sendo convocados a receber a imunização contra o sarampo porque a vacina é a principal prevenção contra esta doença altamente contagiosa. Procure uma unidade saúde, leve a carteirinha de vacinação.

Identificado contágio por sarampo, qual o procedimento para o paciente?
Dra. Geovana – Tem que levar a informação a sério. O sarampo é uma doença contagiosa e perigosa, pode deixar graves sequelas como pneumonia, encefalite, meningite entre outras e pode até levar a óbito. O sarampo é a invasão do corpo humano por um vírus. Deixa principalmente as crianças suscetíveis às sequelas graves, mas também os adultos correm riscos. Lembrando sempre que o sarampo, sim, pode matar e que é preciso se prevenir. É uma doença que é possível prevenir e a prevenção é a correta vacinação.