“Lençóis deve passar dos 100 mil habitantes em 10 anos”, afirma Sidney

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Bem relacionado com gerentes e empresários das indústrias lençoenses, Sidney Aguiar opina sobre a expansão da Lwarcel

A venda da Lwarcel para o grupo RGE e consequente expansão da indústria de celulose tem causado euforia em Lençóis Paulista e região, tanto economicamente quanto na geração de empregos.

Pesquisador especialista em sustentabilidade, Sidney Aguiar é autor do livro Da Cachaça ao Papel, que destaca o crescimento industrial na Cidade do Livro. Ele acredita que a expansão da Lwarcel deverá acarretar um aumento populacional significativo na cidade, ultrapassando os 100 mil habitantes em dez anos. Durante um bate papo com a Revista O Comércio, ele ainda aborda outros pontos. Confira!



Revista O Comércio – Sidney, você tem boa relaçã com a indústria da região, inclusive publicou um livro sobre a história da industrialização regional. Quais as consequências da ampliação da Lwarcel no âmbito econômico/social para Lençóis Paulista e região?

Sidney – Devemos analisar essa questão com base no tríplice conceito da sustentabilidade. Do ponto de vista econômico, vai ser um o divisor de águas na economia regional, com a possibilidade de desenvolver outros setores da própria indústria. Os impactos no comércio serão grandes com o fortalecimento dos comércios locais, principalmente em Lençóis Paulista e no setor de serviços. Espera-se grandes impactos, com tendência de um “boom” para a construção civil. Lençóis Paulista possivelmente será outra Mogi Guaçu. Digo isso em razão de que, após a Indústria de Papel e Celulose Champion ter se instalada no município da região de Campinas, na década de 1960, o município deu um grande salto econômico rumo a um dos maiores PIBs do Brasil. Da mesma forma ocorre o crescimento populacional, e junto com tudo isso, em os problemas sociais que precisam ser gerenciados desde o começo. A estimativa é que, em 10 ou 15 anos, Lençóis Paulista ultrapasse a casa dos 100 mil habitantes.


Revista O Comércio – Na questão ambiental, nosso ecossistema será prejudicado de alguma forma? (aqui digo com relação às obras de ampliação e também no aumento das plantações de eucalipto). Sei que você conhece de perto a realidade das outras grandes empresas da região. Elas têm visto com bons olhos esse projeto?

Sidney – Ainda dentro do conceito da sustentabilidade, na questão ambiental, mesmo que hajam eventualmente alguns impactos ambientais negativos, acredito que esses impactos serão mitigados. As obras de ampliação não oferecem riscos latentes, pois as obras civis são isoladas. O processo de fabricação de celulose é muito seguro, vista que não se tem notícias de acidentes ambientais nos históricos anteriores, em razão do alto grau de segurança ambiental presente nos processos de fabricação. Muito ao contrário do que as lendas antigas diziam, há um convívio harmonioso entre a diversidade industrial da região. Em um raio de 50km de Lençóis Paulista, temos indústrias de tudo quanto é ramo de produção, que vão desde cervejas até sucos em pó e metalurgia em geral. As plantações de florestas comerciais, ao contrário de conceitos lendários, não oferecem riscos ambientais, pelo contrário, as florestas comerciais são coadjuvantes no equilíbrio do ecossistema nativo, principalmente em consorciamento com Áreas de Preservação Permanentes.


Revista O Comércio – Você considera Lençóis Paulista uma cidade privilegiada?

Sidney – Muito privilegiada. Lençóis Paulista tem terra agricultável boa, águas de boa qualidade e mão de obra especializada em diversas áreas industriais.


Revista O Comércio – Você acredita que haverá concorrências industriais com outros ramos quando a nova indústria de celulose começar operar?

Sidney – Não acredito, em razão disso não existir. Lençóis Paulista tem uma indústria sucroenergética forte, diga-se de passagem, uma das gigantes do ramo no Brasil. A indústria alimentícia é forte, tem reconhecimento nacional. Temos uma petroquímica, que é a maior da América Latina. A nova indústria de celulose vai fortalecer um contexto industrial, que já é forte.


Revista O Comércio – Qual é sua visão sobre Lençóis Paulista, daqui 10 ou 15 anos?

Sidney – Vejo uma cidade próspera, consolidando o título de Polo Industrial da região de Bauru, com um PIB algumas vezes maior que hoje, um parque industrial diversificado e desenvolvido, e espero que haja um equilíbrio social e ambiental, conservando nossas riquezas sociais e ambientais, com uma distribuição de renda justa.


Revista O Comércio – Qual o recado que você deixa aos lençoenses?

Sidney – Para aproveitar esse grande evento de crescimento industrial, que ocorrerá nos próximos anos na região. As pessoas precisam se qualificar, se preparar, pois, acredito que a demanda de mão de obra será considerável. Para as pessoas fazerem parte desse crescimento, é necessário estudar e se preparar para a demanda.