Masturbação feminina

Sexual





Se você está esperando dez dicas de como obter um orgasmo na masturbação, vou ensinar a mais poderosa de todas: solte-se na correnteza das sensações e das fantasias sem culpas ou constrangimento e terá o melhor. Mas para a mulher, de modo geral, isso não é tão fácil. O maior problema está justamente no conflito entre o desejo e a repressão.

A religião foi um fator-chave para a construção dessa imagem suja e proibida. A moral judaico-cristã só permitia o sexo para procriação. Imagine só que até 1975 a masturbação era vista pela medicina como um distúrbio sexual, então, faz pouco tempo que temos a visão de que essa prática é necessária, fortalece a autoestima, é um dos pilares da independência afetiva e exala autonomia. É saber cuidar de si mesmo em todos os sentidos.



Estamos na segunda revolução sexual feminina, mas tocar o próprio corpo para obter prazer sexual ainda é um tabu muito grande para a mulher. Segundo a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do ProSex da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) “atualmente, 14% a mais de mulheres aceitam uma relação sexual sem compromisso. A primeira revolução sexual feminina foi com a pílula, que fez com que ficasse bem explícito que o sexo reprodutivo e o erótico são coisas separadas. Nessa segunda revolução, a mulher está aprendendo que amor e sexo não necessariamente andam juntos. O homem já sabia disso”.

Por outro lado, ainda temos um grande número de mulheres que não se masturbam por vergonha e culpa. Para quem nunca se masturbou, precisa refletir sobre sua vida sexual e manifestar o desejo de modificá-la. Para tal, pode começar a ler sobre o assunto, estar mais aberta para mudar seus valores ou então buscar uma ajuda terapêutica. Vale muito a pena. A vida é bem longa para escolher passar por ela de forma a não se realizar plenamente.

No Brasil, ainda lidamos de forma restrita com a nossa sexualidade. O preconceito é impactante e somos o país que mais mata mulheres em função do aumento da busca da liberdade sexual. Temos ainda muito preconceito em relação a algo que faz parte do dia a dia, como comer, ler e trabalhar.

Em conversas no consultório, todas as mulheres que não se masturbam manifestam uma grande insatisfação com o próprio corpo, insegurança nos relacionamentos afetivos sexuais e se sentem muito frustradas por nunca terem experimentado um orgasmo. Não há idade para começar.

A vida é muito longa para abrirmos mão de ótimas experiências que ela possa nos oferecer.

Dra. Salete Cortez
Psicóloga clínica, pós-graduada em Sexualidade Humana e especialista em Pânico e Depressão

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