Por Flávia Placideli
Em entrevista exclusiva, Dr. Bruno de Faria Batista aborda tema de grande repercussão e foco de sua especialidade
A medicina regenerativa do joelho é um campo avançado que vem transformando o tratamento de lesões articulares, trazendo esperança para pacientes com osteoartrite, lesões de cartilagem, menisco e ligamentos. Para entender melhor, conversamos com o ortopedista e especialista em Medicina Regenerativa, Dr. Bruno de Faria Batista, que explicou como essas terapias biológicas estão revolucionando.
Segundo ele, a medicina regenerativa busca estimular os mecanismos naturais de reparo do próprio corpo, evitando cirurgias invasivas, como a substituição total da articulação. “Trabalhamos com terapias que promovem a recuperação da cartilagem, meniscos, ligamentos e até do osso subcondral, usando recursos biológicos que ativam a regeneração dos tecidos,” explica.
Essas abordagens são indicadas para condições como a osteoartrite, lesões condrais e meniscais, lesões ligamentares (como as do ligamento cruzado anterior e posterior) e degenerações após traumas.
Quatro principais modalidades utilizadas:
Plasma Rico em Plaquetas (PRP): concentra fatores de crescimento que estimulam a reparação celular e a modulação da inflamação, indicado para casos leves ou lesões parciais.
Células-Tronco Mesenquimais (CTMs): extraídas da medula óssea ou tecido adiposo, estas células podem se transformar em condrócitos (células da cartilagem) e liberam substâncias anti-inflamatórias, sendo usadas em casos mais avançados.
Microfragmentação de Gordura (SVF): concentra células regenerativas e matriz extracelular para um efeito biológico e estrutural combinado.
Terapias combinadas: a combinação, por exemplo, de PRP com células-tronco ou ácido hialurônico tem demonstrado resultados superiores em regeneração e alívio da dor.
As técnicas regenerativas atuam por três mecanismos principais: Via Parácrina: liberação de fatores bioativos que modulam a inflamação; Via Celular: diferenciação das células progenitoras em tecidos específicos, como a cartilagem e Reconstrução da Matriz Extracelular: que oferece suporte para o crescimento das novas células.
“Estudos recentes mostram melhora significativa na dor e na função do joelho, especialmente em osteoartrite leve e moderada, com reparo parcial da cartilagem visível em exames de imagem”, comenta Dr. Bruno.
O especialista reforça que o sucesso da medicina regenerativa vai além da aplicação das células ou dos fatores de crescimento. “É fundamental preparar o organismo para que ele possa responder bem ao tratamento, como se fosse um ‘preparo do solo’ biológico.” Isso inclui correção de inflamação sistêmica, fortalecimento muscular, controle do microbioma intestinal, nutrição adequada e oxigenação dos tecidos.
Dr. Bruno aponta que o futuro da medicina regenerativa do joelho é promissor e repleto de inovações: Impressão 3D de scaffolds biológicos para reconstrução cartilaginosa; Terapias gênicas para modificar o microambiente inflamatório; Bioengenharia de tecidos com células do próprio paciente; Protocolos específicos para medicina regenerativa esportiva de alto desempenho.
