O sonho do SP2

SP2




Stéfano tem um dos carros do projeto nacional exclusivo da Volkswagen

Priscila Pegatin

Foi na década de 70 que a Volkswagen do Brasil recebeu autorização da matriz, na Alemanha, para produzir o primeiro carro projetado no país. Nascia assim o SP2, veículo que se tornaria, anos mais tarde, o sonho de consumo do bancário Stéfano Giglioli.

A história de Stéfano com carros antigos surgiu ainda na infância, graças à oficina de funilaria e pintura do pai, Waldomiro Giglioli, o Baião Giglioli. Com o passar dos anos a brincadeira da infância virou assunto sério e ele decidiu comprar seu primeiro veículo antigo, um fusca 1974. “A ideia era restaurar e vender para ganhar dinheiro”, diz. O negócio deu tão certo que desde então não parou mais.



Já passaram pelas mãos de Stéfano sete fuscas, o mais antigo de 1970 e o mais novo de 1980. Apesar do gosto pelo modelo, decidiu buscar novos desafios. E por que não um SP2? “Comecei a gostar do carro quando criança. Brincava na carroceria de um SP2 branco de um amigo do meu pai”, lembra.

Mas achar um veículo produzido na década de 70 não é assim tão fácil. “Comprei meu primeiro SP2 1973 escondido do meu pai. Quando ele viu não gostou do carro e me fez devolver”, relembra. “Fiquei muito triste, porém, não adiei o meu sonho”.

E foi em Campo Grande (MT) que encontrou um SP2 de 1976. O carro também não estava lá em boas condições e ficou por três anos em uma oficina de restauração em Guarulhos.

“Nesses três anos pesquisei e estudei os detalhes do modelo. Foi um projeto exclusivo do Brasil, de 1972 e 1976, com a produção de 10.300 carros”, diz, com orgulho sobre o veículo.

E em 2015, o tão exclusivo SP2 do Stéfano ficou pronto. “Foi um show de horror. Muitos problemas de alinhamento e serviços mal feitos”, relembra. “Foram dias difíceis. Gastei muito dinheiro para restaurar o carro e teria que fazer tudo novamente”.

Se vendo dentro de um pesadelo, o bancário teve uma ideia. “Nos três anos de espera, juntei muitas peças do modelo. Resolvi criar um grupo de peças no Facebook para vender e conseguir o dinheiro para refazer o carro”. A iniciativa vingou e, com mais dois anos de restauração, o SP2 finalmente estava pronto.

“A sensação é indescritível. O carro gera muita curiosidade e traz um pouco de alegria. Os mais velhos abrem um sorriso e relembram quando o veículo andava pelas ruas. Os mais novos acham que é da Hot Wheel (marca americana de carros de brinquedos)”, diz orgulhoso.

Hoje, Stéfano tem dois SP2 e um fusca, sendo que o último SP2 foi resgatado de um senhor em Bofete (SP). Além dos veículos, se tornou sócio e tesoureiro do VW SP2 Club e tem cerca de 2.500 carros catalogados por cor e placa. “Para fazer uma boa restauração é preciso ter muito carinho e dedicar tempo. As pessoas que mais ficam do meu lado são minha esposa e meu pai”, finaliza Stéfano sobre o hobby.