Quando o intestino não vai bem

Crohn




Doença de Crohn dá dor abdominal, diarreia, febre e prostração; gastroenterologista explica a patologia e paciente conta como convive com o quadro, que é crônico

Priscila Pegatin

Se as idas ao banheiro começam a incomodar, pode ser sinal de que o intestino não está bem. Diarreia, dor abdominal, fezes com muco e sangue, febre e prostração são os principais sintomas de uma doença crônica chamada de Crohn. Há casos ainda em que ela é silenciosa e o paciente só descobre que a tem devido a uma perfuração intestinal que requer cirurgia.

Mas afinal, o que é a doença de Crohn?

O gastroenterologista e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, Bruno Orsi Medola, explica que a Doença de Crohn é uma inflamação do intestino. “Pode acometer qualquer parte do aparelho digestivo, porém, o mais frequente é o ileo terminal (intestino delgado)”, diz.

A colonoscopia – com ou sem a realização de biópsia – é o principal exame para confirmar se é ou não a tal doença.



Crônica e sem cura, o paciente com a Doença de Crohn lida com períodos de crises e recessões.

Vanessa Biagio Godoi é leitora da Revista O Comércio e entende muito bem do assunto. Há 14 anos ela foi diagnosticada com a Doença de Crohn e foi quem nos sugeriu o assunto.

Vanessa descobriu a patologia após receber dois diagnósticos – de verme e colite – equivocados, resultando em tratamentos sem melhora.

O que teve início com idas frequentes ao banheiro e perda de peso rápido, piorou em poucos meses. “Comecei a ter cólicas abdominais parecidas com cãibras, diarreia – cerca de 15 a 20 vezes por dia – aftas na boca, falta de apetite e vômitos. Ficava dois dias em casa e três dias internada. Em seis meses perdi 25 kg e fiquei muito debilitada”, relembra.

Um diagnóstico crônico

Vanessa, assim como muitas pessoas, nem imaginava o que significava receber um diagnóstico de Crohn.

Mas, apesar da preocupação, na época ela foi orientada que havia tratamento e que deveria evitar a ingestão de leite e coco, e administrar corticoide. “Na realidade descobri que não era bem assim”, completa.

Após um ano da primeira crise, as dores abdominais voltaram e Vanessa deu início a novos cuidados com medicamentos a base de corticoides e biológicos, além do acompanhamento psicológico.

O gastroenterologista Bruno explica que por ser uma patologia crônica o paciente deve entender que o tratamento é prolongado e visa minimizar os sintomas e a hospitalização, porém, pode haver períodos de recaídas.

Sobre os medicamentos, eles dependem da fase da patologia. “Alguns remédios agem na fase aguda, de forma a controlar a atividade da doença e diminuir os sintomas. Outros são aplicados na fase crônica, em que a doença está em remissão, para evitar novos sintomas”.
E assim como fez Vanessa, o médico ressalta que o cuidado multidisciplinar é fundamental. “O Crohn pode acometer áreas do intestino relacionadas com a absorção de nutrientes e vitaminas, fazendo com que o paciente apresente déficit nutricional. O acompanhamento nutricional deve ser individualizado”, ressalta o gastroenterologista. “Particularmente oriento o paciente a ter um seguimento paralelo com um psicólogo também”, completa.

De frente com uma crise

Seguindo a risca o tratamento, Vanessa teve a remissão da Doença de Crohn por anos, porém, uma nova crise surgiu em 2018. A gravidade do quadro a levou a ser submetida a uma cirurgia para retirada de parte do intestino. “Sai do hospital com uma bolsa (coletora especial) na qual fiquei por nove meses. Fiz a cirurgia de reversão há dois meses”, diz ela, que assim como muitos pacientes, segue na fase de remissão da doença.