Reciclando a visão de mundo

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Trabalhadoras da usina de reciclagem de Lençóis Paulista encaram jornadas longas de um trabalho pesado, mas ao mesmo tempo muito digno

Angelo Franchini Neto

Elas encaram de frente um trabalho que muita gente “torce o nariz”, mas em momento algum se deixam levar pela opinião alheia. Muitas são responsáveis por todo o sustento da casa e não deixam a peteca cair nem nos momentos mais difíceis.

Ao invés de reclamarem, arregaçam as mangas e correm atrás dos seus objetivos pessoais e profissionais. Essas são as mulheres responsáveis pela coleta e triagem do lixo reciclável da usina Cooprelp (Cooperativa de Reciclagem de Lençóis Paulista).

Ao todo 34 colaboradores trabalham na Cooprelp, dos quais 31 são mulheres – os outros três homens trabalham na prensagem e como motoristas.

O dia começa cedo, por volta das 7h, e termina às 17h, de segunda à sexta-feira. A coleta em si acontece a partir das 8h e tem um cronograma específico, que pode ser encontrado no site da Prefeitura Municipal de Lençóis Paulista.

Relato de quem vive da reciclagem

Catarina de Fátima Vaz é a presidente da cooperativa e trabalha com reciclagem há 11 anos. Ela vê com bons olhos o comprometimento da população lençoense em separar o material reciclável, mas faz uma ressalva: ainda há muito o que melhorar. “Muita gente ainda coloca o lixo para fora de casa sem separar, enquanto outros não seguem o cronograma. E tem ainda quem coloca cacos de vidro soltos, o que é um perigo para a nossa saúde”.

Como o salário dos trabalhadores da Cooprelp é baseado na produtividade, quanto mais os recicláveis foram separados, melhor é o salário das trabalhadoras. “Se apenas o lixo reciclável estiver em cima da esteira, melhor para nós, pois recebemos por produtividade e tempo é dinheiro. Por exemplo: se a usina vender R$ 10 mil, esse valor será dividido entre os 34 trabalhadores, ou seja, é o sustento de 34 famílias”.

Sobre o preconceito com o trabalho, Catarina propõe uma bela reflexão. “Não importa se você é um médico ou o coletor de lixo reciclável. O que importante é fazer o seu trabalho com dignidade e honestidade. É claro que o nosso dia a dia na usina de reciclagem é bastante pesado, mas temos que encará-lo. O atual momento do Brasil não nos deixa escolher muito, sem contar que todos aqui (na usina de reciclagem) gostam do que fazem. Colocamos a mão na massa e seguimos em frente, pois nada cai do céu”.