Somos todos iguais

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Sorriso no rosto e autoestima lá em cima: esses são os segredos de Juliana para encarar o preconceito

Angelo Franchini Neto

20 de novembro. Uma data para reflexão e de voltar ao tempo, não rasurar a história. Afinal, quem é que não tira lições do passado? Ainda mais quando o assunto é delicado e inspira debates em todos os níveis. É o Dia da Consciência Negra, criado para homenagear Zumbi dos Palmares (líder quilombola brasileiro ícone da resistência à escravidão) e também para refletir sobre a importância do povo e da cultura africana no Brasil.

Paralelamente a tais reflexões vem o debate acerca do racismo, que infelizmente ainda faz parte da sociedade brasileira. E é para levantar esta questão que a Revista O Comércio entrevistou Juliana Dias de França, que é nascida em Macatuba, mas mora em Itapeva.

 



Ela garante: os avanços foram muitos, mas ainda há o que melhorar. “Não é uma data para comemorar, e sim para refletir. Vemos na mídia coisas boas, mas sabemos que o preconceito ainda existe, seja através de palavras, agressões ou em um simples olhar”, afirma a bancária e psicóloga. “É difícil sofrer preconceito, porque os nossos direitos são iguais, independentemente da cor da pele, raça, gênero, classe social”.

Palavras que machucam

Juliana conta que já sofreu preconceito diversas vezes, mas uma delas ficou marcada em sua vida. “Certa vez eu estava no meu trabalho e um dos clientes olhou para a minha cara e disse ‘que moça bonita, a gente sabe quando é o negro é bom por conta dos dentes’.

Naquele momento eu saí do local onde estava, porque era algo forte. Foi bastante complicado para mim”. Felizmente a Personagem do Mês não se abateu a ponto de aceitar insultos, muito pelo contrário. “Hoje em dia eu não me abalo tanto, pois consigo enfrentar as situações. Vou para o embate mesmo, não aceito ser discriminada mais. E gostaria que todos reagissem da mesma forma. Somente assim vamos avançar ainda mais contra o racismo”.

Horizontes promissores?

Única negra em seu ambiente de trabalho ao lado de um estagiário (a agência na qual Juliana trabalha, em Itapeva, conta com 50 colaboradores), a bancária é um exemplo a ser seguido.

O meu filho, Henry, de apenas oito anos, não é negro, mas também sofre preconceito por conta da minha cor de pele. E dói mais quando a ofensa é dirigida à minha família do que diretamente a mim. Por isso faço questão de trabalhar essas situações com o Henry, através de bate-papos e vários ensinamentos”, reforça Juliana, que completa. “Tudo isso se resume ao fato de nós comemorarmos a Maju Coutinho (jornalista) ser a primeira negra a apresentar o Jornal Nacional. Na verdade, essa situação teria que ser comum e não algo pontual”, finaliza.