Voltando à velha forma

forma




Membrana de colágeno tem ajudado os médicos ortopedistas no tratamento de lesões nas articulações

Da Redação

Um dos grandes desafios para o cirurgião ortopédico é o tratamento das lesões condrais (nas articulações). Devido ao baixo potencial de cura da cartilagem articular humana e ao grau de desconforto que essas lesões causam, a intervenção cirúrgica tem sido amplamente usada na tentativa de preencher os defeitos cartilaginosos.

Diversas técnicas têm sido usadas, e uma delas envolve a membrana de colágeno, que foi desenvolvida com o propósito de melhorar os resultados obtidos com a técnica de microfraturas. “Embora apresente bons resultados quando bem indicada para o tratamento das lesões condrais do joelho, sabe-se que 25% dos atletas não retornam à prática esportiva e aqueles que retornam, na maioria das vezes, não são capazes de exercer a atividade física com o mesmo desempenho que antes da lesão”, lembra o ortopedista e traumatologista Bruno de Faria Batista.



A membrana de colágeno é indicada para pacientes com menos de 60 anos, ativos, que tinham dor proveniente da articulação femoropatelar e tibiofemoral e que apresentavam lesões graus 3 ou 4 (de acordo com a classificação da Sociedade Internacional de Reparo da Cartilagem) e com diâmetro mínimo de 1 cm.

A aplicação da membrana de colágeno é cirúrgica?

O procedimento cirúrgico inicia-se por uma artroscopia do joelho. Após localizada a lesão, a artroscopia é interrompida e, então, é feita uma via de acesso de acordo com o lado da lesão.

É feita a remoção de tecidos enfraquecidos, assim como curetagem, com o propósito de retirar a camada calcificada da cartilagem danificada. “É definida a dimensão precisa do defeito a ser coberto e, então, usamos esse molde para fazer o recorte da membrana, após imergi-la em solução salina. Em seguida, fazemos microperfurações. Com a lesão preparada para receber a cobertura, colocamos a membrana de colágeno sobre a lesão. Por fim, soltamos a membrana na cartilagem articular e complementamos com cola de fibrina sobre os bordos da membrana”, revela o médico Bruno.

Como é a recuperação?

Todos os pacientes permanecem imobilizados por três semanas com brace (joelheira) funcional sem descarga de peso. Da terceira até a quinta semana, o objetivo do tratamento é diminuir o quadro inflamatório, aumentar a amplitude de movimento do joelho, e obter controle muscular do quadríceps. “Entre cinco e oito semanas, o paciente é incentivado a caminhar sem uso o brace. É feita de forma progressiva e aumentada. Hidroterapia e exercícios na bicicleta estacionária são incentivados progressivamente”.

Após quatro a seis meses, o paciente é liberado para correr, além de fazer movimentos de pivô e salto. Finalmente, entre seis a oito meses, o paciente é liberado para a prática de esportes de contato.