Você tem medo de anestesia?

Convenhamos, todos nós temos medo de não voltar de uma anestesia. Esse medo vem de muito tempo quando os anestésicos eram medicamentos de classes bem inferiores aos utilizados atualmente.

Esse panorama mudou, e mudou muito. Hoje, a anestesia é um procedimento médico de altíssima segurança que promove analgesia completa enquanto o paciente é operado.

Mas antes de falar do avanço e de todos os equipamentos que utilizamos, vamos falar de como era antes da anestesia. Imaginem-se em uma época antes de 1800. Antes do uso da anestesia (1822), os homens tomavam álcool para diminuir a dor nos procedimentos. Já as mulheres, recebiam um bastão revestido de couro para morder durante a cirurgia.

Em alguns casos, os pacientes tinham os olhos vendados, mas, de modo geral, assistiam a tudo. Tanto que os cirurgiões mais famosos eram os mais rápidos, pois causavam dor por um período mais curto ao paciente. Existe a história verídica de um cirurgião escocês, Robert Liston (1794-1847) que ficou famoso por amputar a perna de um paciente em menos de 120 segundos. O homem era “tão rápido”, que, no processo, acabou amputando os dedos de seu assistente.

Acho que já deu para a imaginar como doía um procedimento cirúrgico no passado, não é? A descoberta da anestesia geral é atribuída a três americanos: o médico Crawford W. Long e os dentistas Horace Wells e William Morton. A anestesia com éter foi descoberta em Boston na década de 1840, e o médico escocês Sir James Simpson de Edimburgo foi o primeiro a usá-la como anestésico em 1847. A primeira intervenção cirúrgica com anestesia geral foi realizada em 16 de outubro de 1846 no Massachusetts General Hospital em Boston por John Collins Warren.J

Antigamente, o consumo ou depuração do medicamento pelo nosso organismo, ou seja, a metabolização desses anestésicos era tão lenta que fazia com que ele ficasse circulando pelo nosso corpo por muito tempo. Levava horas para que os pacientes começassem a acordar e por isso, vem-se a fama do medo de não acordar mais.

Havia pacientes que ficavam até dias com o efeito dos anestésicos. Porém, hoje, os sedativos evoluíram e ficaram com uma meia vida, ou seja, o corpo consegue metabolizar esses medicamentos muito rapidamente. Hoje temos medicamentos muito mais potentes, menos tóxicos aos nossos órgãos e com uma metabolização muito mais fácil.

Todo anestesista calcula a dose de uso do anestésico a depender do tempo cirúrgico. Porém, quando a cirurgia termina antes do previsto, rapidamente o anestesista programa a reversão da dose do medicamento usado. O paciente acorda, porém, a sonolência pode manter por mais um tempo, apenas para manter o paciente calmo.

Hoje contamos com o aparelhos de monitoramento muito eficazes como o BIS (monitor cerebral ou Índice Bispectral). Ele detecta o limiar de despertar do paciente, antes mesmo de dar sinais de acordar. Vendo isso, o anestesista aplica uma pequena dose do anestésico, evitando as superdosagens.

Por isso, deixem o medo para o passado, hoje as anestesias são muito mais seguras porém não se esqueçam de fazer os exames e passar por uma avaliação pré anestésica antes de operar.

Enfim, esta é apenas uma maneira bem resumida de explicar sobre a anestesia, e certamente muitas pessoas continuarão com muitas dúvidas após ler a matéria, porém, estou aqui para isso! Estou disponível no meu canal do youtube no www.youtube.com/drjoaoluis, no meu instagram e também no meu consultório no Centro médico Rosaclin.