A obesidade é considerada hoje, no mundo todo, um importante problema de saúde pública. Segundo a Federação Mundial da Obesidade, mais de 4 bilhões de pessoas serão obesas ou terão sobrepeso nos próximos 12 anos. Segundo as pesquisas, mais da metade da população mundial (51%) estarão obesos ou acima do peso até 2035.
Nos últimos anos, a cirurgia bariátrica, também conhecida como cirurgia da obesidade, se revelou um dos principais tratamentos para a obesidade no Brasil e o mundo. No entanto, o que muitos não sabem, é que antes e depois da cirurgia é necessário a avaliação e acompanhamento multiprofissional que envolve: endocrinologista, nutricionista, cardiologista, fisioterapeuta e psicólogo. Além de profissionais de outras especialidades, de acordo com cada caso.
É importante esclarecer que o objetivo principal da cirurgia é o tratamento da obesidade e muitas vezes, das doenças associadas á ela, ou seja, a cirurgia não é um procedimento estético. Seu objetivo é sempre melhorar a qualidade de vida do paciente.
O tratamento cirúrgico da obesidade extrema é indicado para pessoas que estão com o IMC (índice de massa corporal) acima de 40 e, mesmo após anos de tratamento, não obtiveram sucesso na perda de peso. Ou então, pessoas com o IMC entre 35 e 40 e que sejam acometidas por doenças causadas ou agravadas pela obesidade (exemplos: diabetes tipo 2, hipertensão arterial, etc).
O papel do psicólogo no processo é ajudar o candidato a se preparar para as mudanças que virão após o procedimento. Quem considera a possibilidade de se submeter à cirurgia tem um longo histórico de luta contra a obesidade. Durante a avaliação podemos entender a história da obesidade na vida de uma pessoa e se fatores emocionais contribuíram para o início e a sua manutenção até os dias de hoje. Vale ressaltar que a presença de transtornos emocionais não constitui necessariamente um impedimento para a cirurgia, exceto em casos realmente graves e extremos. O candidato deve saber que um resultado satisfatório pede que se consiga fazer mudanças, não somente no comportamento alimentar, mas também no seu estilo de vida, mesmo antes da cirurgia. É importante refletir a respeito da pergunta: Por que não consegui emagrecer no decorrer de minha vida? Alguns transtornos mentais e psiquiátricos, não devidamente tratados, podem interferir profundamente no decorrer de uma vida na capacidade de perda de peso, dentre eles podemos citar depressão e ansiedade grave sem tratamentos adequados e a compulsão alimentar.
O comer emocional, que é o comportamento de usar a comida para evitar ou lidar com sentimentos, ou então, o vício em comida, que se caracteriza pela perda de controle em relação á alguns tipos de alimentos, são exemplos de transtornos que também podem interferir no resultado e devem ser avaliados e tratados junto ao psicólogo.
Lembre-se, a cirurgia não é uma garantia absoluta de emagrecimento e 20 % a 30 % das pessoas que são submetidas ao procedimento vão apresentar reganho de peso após 2 anos.
Portanto, comece percebendo que a cirurgia é uma parte de seu emagrecimento e, em última instância, você será o responsável pelo resultado final.
